Investidores estrangeiros retiraram R$ 11,93 bilhões da Bolsa brasileira (B3) em sete pregões até 11 de agosto. O movimento ocorre em um cenário de incerteza doméstica, impulsionado pela volta da preocupação fiscal e pela aproximação do pleito eleitoral.
Segundo dados da Elos Ayta, divulgados nesta quinta-feira (13), o valor representa o segundo maior saque de capital estrangeiro no mês, atrás apenas de maio, quando a retirada atingiu R$ 14,91 bilhões. A saída de agosto corresponde a 80% do total retirado em maio, conforme relatou Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.
O comportamento contrasta com o primeiro semestre de 2026. Em janeiro, o Ibovespa recebeu um saldo líquido de R$ 26,31 bilhões em capital estrangeiro. Contudo, a partir do segundo trimestre, houve saídas de R$ 14,91 bilhões em maio e R$ 7,79 bilhões em junho.
As expectativas de mercado também mudaram. Enquanto no início do ano o mercado estimava a taxa Selic em 12,25% ao ano, dados recentes apontam para 13,75% ao ano, segundo o Boletim Focus. Essa mudança, somada às críticas de economistas à política fiscal, diminui o apetite por risco.
A perda de valor das empresas listadas também é expressiva. Em sete dias de queda, companhias da B3 perderam R$ 279 bilhões em valor de mercado, montante equivalente a cerca de 90% do valor atual da Vale, que é de R$ 311 bilhões.

