Um estudo publicado na revista Nature Genetics identificou regiões específicas do genoma humano ligadas ao Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). A pesquisa demonstra que a predisposição genética exerce papel relevante no desenvolvimento da condição, alterando a visão anterior que a associava apenas a traumas.
A investigação, considerada o maior estudo genético sobre o TPB, analisou dados de 12.339 pessoas diagnosticadas e mais de 1 milhão de indivíduos sem o transtorno, todos de ascendência europeia. Os cientistas localizaram 11 regiões independentes do genoma e nove genes prioritários, como FOXP2 e SGCD, que participam de processos ligados ao desenvolvimento cerebral e ao sistema nervoso.
Os autores alertam que a genética não substitui os fatores ambientais. O estudo reforça que o TPB resulta da interação entre predisposição biológica e experiências de vida, incluindo situações de violência e negligência. A correlação genética mais forte encontrada foi com o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), seguido por depressão e TDAH.
Apesar do avanço, os pesquisadores afirmam que o diagnóstico permanece clínico. Os escores poligênicos desenvolvidos não determinam o desenvolvimento da doença. O trabalho serve como ponto de partida para futuras pesquisas sobre novos tratamentos farmacológicos para o transtorno.

