Pilotos e pessoal de cabine enfrentam maior risco de certos tipos de câncer por exposição contínua à radiação cósmica em grandes altitudes, revelou estudo de cientistas da Harvard University. A pesquisa analisou mais de 12 milhões de óbitos nos EUA e concluiu que a probabilidade de mortalidade por câncer ligado à radiação é superior à da população geral.
Os autores explicaram que, ao atingir grandes altitudes atmosféricas, os profissionais são expostos à radiação ionizante solar. Enquanto estudos anteriores sugeriam uma ligação, a nova análise confirma esse risco com maior precisão. Para tripulantes e comissários, a chance de morrer de câncer relacionado à radiação é 50% maior que a da população comum, e para pilotos, é 36% maior.
A investigação analisou a mortalidade por cânceres específicos, como câncer de mama, pele, sistema linfático, tireoide, leucemia, próstata e sistema nervoso central. Em todos esses tipos, a mortalidade entre pilotos e pessoal de cabine apresentou aumento significativo. Os médicos austríacos Catherine Olsen e Ken Karipidis comentaram que isso apoia a hipótese de que a exposição profissional à radiação é a causa, e não fatores de estilo de vida.
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), os funcionários de companhias aéreas absorvem anualmente entre três e seis milisieverts de radiação cósmica. Um viajante que faz dez voos de ida e volta pelo território americano recebe cerca de 0,4 milisievert. Isso representa uma dose até quinze vezes maior para o pessoal de cabine. O professor Anupam B. Jena alertou que o risco é cumulativo, ou seja, quanto mais tempo exposto, maior o aumento do risco.

