Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriram que há diferenças na resposta ao estresse crônico entre homens e mulheres. O estudo, publicado no European Journal of Neuroscience, indica que fêmeas são mais sensíveis aos efeitos nocivos do estresse prolongado que machos.
O estresse crônico é reconhecido pela medicina como fator de risco para problemas de saúde, pois eleva o risco cardiovascular, encolhe regiões cerebrais ligadas à memória e acelera o envelhecimento celular do sistema imunológico. Além disso, é um fator de risco para transtornos mentais, como ansiedade e depressão. Globalmente, o transtorno depressivo maior afeta mais de 320 milhões de pessoas e projeta-se que se torne a principal causa de incapacidade até 2030.
Para investigar as diferenças sexuais, os pesquisadores utilizaram camundongos Swiss em um modelo de estresse crônico moderado imprevisível (CUMS). Os animais foram expostos a semanas de estressores ambientais. Os resultados demonstraram que, embora ambos os sexos apresentassem sinais de ansiedade nas primeiras semanas, as fêmeas exibiram alterações comportamentais relacionadas à ansiedade e à depressão de forma mais evidente.
A análise hormonal também apontou diferenças: somente as fêmeas apresentaram aumento da corticosterona, o principal hormônio do estresse em roedores. Os pesquisadores afirmaram que este padrão se assemelha aos dados clínicos em humanos, onde mulheres são mais propensas a desfechos adversos induzidos pelo estresse. Os experimentos foram aprovados pela Comissão de Ética no Uso de Animais de Laboratório da UFRJ.

