Uma equipe de astrônomos descobriu que os braços espirais externos da Via Láctea podem se estender 10% além do que se acreditava anteriormente. A conclusão foi alcançada por meio de medições precisas de distâncias até nuvens de poeira, utilizando dados dos observatórios de raios X Chandra, da NASA, e XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA).
A apuração baseou-se no estudo de ondas de raios X que ricochetearam em nuvens de poeira localizadas nas extremidades da galáxia. Essa radiação originou-se de fenômenos violentos fora da Via Láctea, como a fusão de estrelas de nêutrons ou o colapso de estrelas maciças, conhecidos como explosões de raios gama (GRB).
Os pesquisadores analisaram três fontes específicas de radiação: GRB 031203, GRB 160623A e GRB 221009A. Através da estrutura anular dos ecos de raios X observados pelo telescópio Chandra, foi possível calcular as distâncias dos braços de Perseu, do braço externo e do braço de Escudo-Centaurum em relação à Terra.
Os resultados indicam que tanto o braço externo quanto o de Escudo-Centaurum estão aproximadamente 10% mais distantes do centro galáctico. Diferente de outros métodos que dependem de suposições sobre a rotação da galáxia, esta técnica utiliza a geometria para reduzir incertezas sobre as regiões periféricas.
A Via Láctea é composta por dois braços principais, Escudo-Centaurum e Perseus, e dois secundários, Norma e Sagitário. O Sistema Solar está localizado no braço de Órion, um ramal secundário situado entre os braços de Sagitário e Perseu, a cerca de 26 mil anos-luz do buraco negro Sagitário A*, no centro da galáxia.
A metodologia, embora precisa, não poderá ser usada sistematicamente devido à raridade de explosões de raios gama visíveis pelo plano galáctico. Para futuras medições, a comunidade científica aguarda dados do observatório Gaia e do NewAthena, nova geração de observatório de raios X da ESA, que poderá detectar ecos mais fracos nas bordas da galáxia.

