Pesquisas científicas recentes, incluindo uma meta-análise de 2024 e estudos da Universidade de São Paulo (USP), apontam que o canabidiol (CBD) apresenta efeito significativo na redução de sintomas de ansiedade. O avanço nos estudos ocorre paralelamente à atualização do marco regulatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2026 para a fabricação e importação de produtos de cannabis medicinal.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou que 359 milhões de pessoas viviam com transtornos de ansiedade em 2021, o que representa 4,4% da população global. No Brasil, dados de 2015 da mesma organização indicavam que a prevalência era maior, atingindo 9,3% dos habitantes. Estima-se que apenas uma em cada quatro pessoas que necessitam de cuidados para esses transtornos receba o tratamento adequado.
Uma meta-análise publicada em 2024, que reuniu oito pesquisas com 316 participantes, identificou efeito estatisticamente significativo do CBD sobre a ansiedade. No Brasil, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP realizou um estudo duplo-cego com pacientes com transtorno de ansiedade social. Durante testes de fala em público, houve redução nas medidas de ansiedade após a administração de CBD em comparação ao grupo de controle.
O interesse científico baseia-se na interação dos canabinoides com o sistema endocanabinoide do corpo humano, que regula respostas ao estresse, humor, sono e memória emocional. Especialistas ressaltam que a cannabis medicinal difere do uso recreativo por possuir formulações, concentrações e controles específicos, exigindo avaliação individualizada.
Entre 2010 e 2012, o consumo de ansiolíticos benzodiazepínicos nas 27 capitais brasileiras cresceu 72%, segundo dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) da Anvisa, publicados na revista Ciência & Saúde Coletiva. O cenário de estresse é atribuído a fatores como hiperconectividade, redes sociais e insegurança econômica.
Atualmente, o acesso a derivados de cannabis no Brasil ocorre por meio de prescrição de profissionais habilitados, seguindo as normas da Anvisa. O processo envolve a análise do histórico de saúde do paciente e a definição da dosagem e composição do produto, já que não existe uma solução única para todos os casos.


