A indústria brasileira de carnes avalia positivamente a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar a cota de importação de carne bovina magra com tarifa reduzida. A medida, oficializada na quarta-feira (26), entra em vigor no dia 1º de setembro e visa aumentar o volume de proteína no mercado norte-americano.
O decreto da Casa Branca estabelece um aumento de 300 mil toneladas no volume de carne magra que entrará no país com imposto reduzido nos próximos 90 dias. O fluxo será de 100 mil toneladas por mês até 30 de novembro. Como condição, os produtos devem ser comercializados nos EUA a preços 25% inferiores aos praticados atualmente.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que a iniciativa representa uma oportunidade para o setor, embora o Brasil não seja o único beneficiado. A entidade demonstrou cautela quanto à exigência de preços baixos, afirmando que a regra limita ganhos imediatos de margem para a indústria.
Para a Abiec, o novo espaço nos EUA não substitui o volume de carne que deixou de ir para a China devido ao esgotamento da cota de importação livre de tarifas. A associação explicou que os mercados são complementares, pois chineses e norte-americanos demandam perfis de produtos distintos. A nova cota americana foca em carnes magras, conhecidas como lean beef trimmings, usadas em hambúrgueres e carne moída.
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) recebeu a decisão com mais otimismo. O presidente da entidade, Paulo Mustefaga, afirmou que a medida chega em momento importante e pode mitigar os efeitos do esgotamento da cota de exportação para a China, oferecendo uma alternativa adicional em um período de pressão no comércio internacional.
A Abrafrigo informou que Pará, Acre e Maranhão não poderão aproveitar a medida por não estarem habilitados a exportar carne bovina para os EUA. A associação cobrou o avanço na habilitação de plantas exportadoras em novos estados para que a oportunidade alcance mais produtores e empresas.

