A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou na quarta-feira (26) o daraxonrasib para pacientes adultos com câncer de pâncreas metastático. O medicamento oral, vendido sob o nome comercial Rasonque, dobra a sobrevida mediana de pacientes que já passaram pela primeira linha de quimioterapia.
A sobrevida mediana saltou de 6,7 meses, com as opções convencionais, para 13,2 meses com o uso do daraxonrasib, segundo Carlos Tadeu Garrote, oncologista do Grupo Kora de Oncologia. O médico explicou que a droga atua na via do RAS, bloqueando a sinalização que promove a proliferação de células tumorais, o que permite reduzir e controlar melhor a doença.
O tratamento é indicado como segunda linha, sendo utilizado quando o câncer deixa de responder à quimioterapia padrão. Garrote afirmou que a medicação não representa a cura, mas sim um ganho de tempo, classificando-a como um tratamento paliativo. Para o especialista, a única chance de cura definitiva para a doença continua sendo a intervenção cirúrgica.
O custo do tratamento nos Estados Unidos é de aproximadamente US$ 39,8 mil por 30 dias. No Brasil, a chegada do medicamento depende de análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), processo que pode levar de quatro a 12 meses. Após a liberação, o fármaco passará por etapas de precificação.
A expectativa do oncologista é que o acesso inicial ocorra pelo mercado privado, dado o alto valor. Garrote informou que não há perspectiva de disponibilidade fácil pelo Sistema Único de Saúde (SUS), prevendo que a obtenção via rede pública possa ocorrer apenas por meio de decisões judiciais.
O câncer de pâncreas é descrito como um dos tumores mais agressivos do aparelho digestivo devido à dificuldade de diagnóstico precoce. Sintomas como icterícia — pele e olhos amarelados —, perda de peso, dor abdominal e diarreia costumam aparecer em estágios avançados, quando a cirurgia já não é mais possível.

