O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em um grupo de mais de quarenta nações que, segundo a Casa Branca, utilizam-se para redirecionar produtos chineses e reduzir o efeito das tarifas americanas impostas à China. O relatório divulgado nesta quinta-feira (13) aponta que esse transbordo ilegal causou perda de pelo menos US$ 60 bilhões em receita tarifária.
O documento de Washington explica que exportadores chineses modificam etapas de produção, embalagem, rotulagem ou documentação em mercados terceiros antes de enviar os bens aos Estados Unidos. O Brasil consta no Nível Dois da lista, junto à Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã. Esse grupo reúne países com forte integração nas cadeias produtivas chinesas e infraestrutura logística capaz de realizar o redirecionamento de mercadorias.
A Casa Branca considera que o Brasil e a Turquia atuam como plataformas regionais de produção e distribuição, embora o relatório não detalhe produtos brasileiros envolvidos nessas operações. O governo Trump afirmou que o combate ao transbordo se tornou prioritário devido às altas tarifas aplicadas a certas mercadorias chinesas, que podem ultrapassar 200% quando combinadas com direitos antidumping e compensatórios.
A inclusão do Brasil na lista gera um novo ponto de atrito comercial com Washington. O governo Lula já iniciou nesta semana o procedimento previsto na Lei da Reciprocidade Econômica para avaliar uma resposta às tarifas americanas. Um economista alertou que, apesar dos ganhos táticos de negociação, o processo acarreta custos consideráveis caso se concretize em medidas.


