O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu uma investigação contra o Pix, alegando que o sistema brasileiro configura uma prática desleal. A ação se enquadra na Seção 301 da Lei de Comércio e coloca o Brasil em uma disputa geopolítica com Washington.
A acusação, feita pela conselheira Jennifer Thornton, aponta que o Banco Central do Brasil atua em conflito de interesses ao ser regulador e operador do sistema. Washington considera que o Brasil criou um “campeão nacional” que prejudica empresas americanas como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay.
O incômodo americano tem origem financeira. Em 2024, o Pix movimentou R$ 26,4 trilhões, retirando recursos do circuito de cartões. O sistema instantâneo do Pix elimina a linha de crédito predatória que as adquirentes cobram dos lojistas, que dependem de antecipação de recebíveis.
Segundo dados comparativos, o Pix cobra uma taxa média de 0,22% e oferece liquidez instantânea, enquanto os cartões cobram entre 1% e 2,2% e demoram até trinta dias. A perda estimada para as bandeiras, caso a pressão se concretize, chega a R$ 220 bilhões até o final de 2026.
Representantes de trabalhadores, como a Contraf-CUT, alertam que o ataque busca subjugar a autonomia financeira do país, forçando a renda das transações para mãos estrangeiras. A entidade argumenta que o movimento americano visa desestabilizar a soberania nacional.

