O governo dos Estados Unidos investiga a Apex Logistics, sediada em Cingapura, por suspeita de participação no contrabando de chips de inteligência artificial da Nvidia para a China. A apuração, conduzida pelo Escritório de Indústria e Segurança (BIS) do Departamento de Comércio, mira a possível violação de restrições de exportação impostas em 2022.
As autoridades apuram se a Apex, unidade da suíça Kuehne+Nagel, transportou sistemas de IA fabricados pela Super Micro Computer. A rota sob suspeita envolvia servidores saindo de Taiwan para os EUA, seguindo para países do Sudeste Asiático e Hong Kong, antes de chegarem por terra à China continental.
O governo americano investiga 47 embarques realizados pela transportadora em 2024. Segundo fontes, dois ex-funcionários da Apex teriam classificado as cargas com códigos que indicavam a isenção de controles de exportação. Ambos deixaram a companhia pouco depois de a investigação ser comunicada pelo BIS.
A Apex afirmou estar ciente do interesse das autoridades sobre um pequeno número de envios feitos em 2024 e declarou que coopera integralmente com o processo. A controladora Kuehne+Nagel confirmou a cooperação da subsidiária, mas informou que a companhia mãe não foi contatada. As ações da empresa chegaram a cair 4,2% na Europa.
Washington restringiu a venda de hardware avançado para Pequim por receio de que a tecnologia fortaleça capacidades militares chinesas. A apuração indica a existência de um mercado paralelo que já teria movimentado bilhões de dólares em chips da Nvidia. Autoridades de Cingapura afirmaram que não tolerarão o uso do país para burlar controles de exportação.
A Nvidia informou que trabalha para garantir a conformidade com as regras e que processos de diligência ajudaram a identificar tentativas de burlar os controles, resultando em ações judiciais federais. A Super Micro se recusou a comentar as remessas e, segundo fontes, não mantém relação comercial direta com a Apex, que atua em nome dos clientes.

