Carlos Baptista Junior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) durante o governo Jair Bolsonaro, narra em livro os fatos vivenciados entre abril de dois mil e vinte e um e janeiro de dois mil e vinte e três. O militar foi testemunha de acusação no processo que resultou na condenação do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado.
O livro, intitulado Eu Disse Não: Uma Trincheira Antigolpista, será lançado em setembro e detalha como os comandantes das três Forças Armadas foram convocados doze vezes ao Ministério da Defesa. Segundo o oficial, os chefes das Forças tiveram seus trabalhos desviados da caserna para debater a eleição durante aquele ano.
Baptista Junior confirmou à Polícia Federal que o então presidente mostrou aos comandantes militares um esboço de decreto para impor um estado de exceção no país. O militar, piloto de caça com mais de quatro mil e quinhentas horas de voo, narra ter ajudado a manter as Forças Armadas afastadas de um rompimento.
O testemunho do oficial foi considerado crucial nos autos da ação penal 2668, julgada pelo Supremo Tribunal Federal, que impôs ao ex-presidente a pena de 27 anos e três meses de reclusão. Baptista Junior assumiu o comando da Aeronáutica em abril de dois mil e vinte e um, após uma crise gerada pela demissão do ministro da Defesa Fernando Azevedo.

