A fabricante chinesa de carros voadores EHang Holdings Ltd. retirou sua meta anual de receita nesta quinta-feira (27). A decisão ocorre após o endurecimento de normas regulatórias para voos de baixa altitude na China, consequência de um acidente fatal com uma aeronave esportiva em Pequim, que atrasou o início comercial do transporte de passageiros.
O diretor financeiro da empresa, Yang Jiahong, informou em teleconferência realizada na terça-feira (25) que não haverá nova meta de receita no momento. A companhia atualizará as projeções apenas quando houver maior visibilidade dos negócios e do ambiente regulatório. Em março de 2025, a EHang previa que a receita de 2026 cresceria 18%, atingindo 600 milhões de yuans (US$ 89 milhões).
No primeiro semestre de 2026, a receita registrada foi de 104 milhões de yuans (US$ 15,4 milhões), queda de 25,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O valor representa 17,3% da meta original para o ano. No segundo trimestre, a receita caiu 31,3% na comparação anual, para 77,9 milhões de yuans (US$ 11,6 milhões), enquanto o prejuízo líquido subiu 24,3%, chegando a 128 milhões de yuans (US$ 19 milhões).
A mudança na fiscalização começou após um incidente no dia 26 de junho, quando uma aeronave esportiva leve atingiu um arranha-céu no centro de Pequim. O acidente matou o piloto e feriu outras 13 pessoas. Segundo a apuração da imprensa local, as atividades de aviação geral no país foram suspensas, exceto operações de resgate, e as inspeções de segurança tornaram-se mais rigorosas.
O diretor de operações, Wang Zhao, disse que a resposta dos reguladores superou as expectativas da empresa. A fiscalização desacelerou a aprovação de projetos e a entrega de aeronaves. No segundo trimestre, a EHang vendeu 35 veículos eVTOL EH216, contra 52 no mesmo período de 2025. Projetos de transporte em Guangzhou e Hefei, que já possuíam certificados, seguem em fase de testes internos.
Para compensar a falta de cronograma para o transporte de passageiros, que representava 92% da receita no segundo trimestre, o presidente da companhia, Hu Huazhi, afirmou que a empresa focará em logística, combate a incêndios e mídia aérea. Hu informou que a EHang está cortando investimentos desnecessários e otimizando a estrutura de pessoal desde o segundo trimestre.


