A adoção de inteligência artificial em empresas brasileiras cresceu significativamente, mas a ausência de governança cria um passivo corporativo para a próxima década. A tecnologia foi incorporada a áreas sensíveis sem definir quem audita ou responde por erros, conforme apontam análises de mercado.
A pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br, mostra que o uso de IA em empresas brasileiras subiu de 13% em 2024 para 17% em 2025, atingindo 50% nas grandes corporações. O problema reside na falta de estrutura para gerir a tecnologia, que entrou na operação mais rápido que os mecanismos de controle. O encontro entre IA e proteção de dados é um ponto crítico, pois sistemas processam dados pessoais sem base legal clara, gerando exposição sob a LGPD.
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) registrou mais de 120 autos de infração no primeiro semestre de 2025, totalizando R$ 45 milhões em multas. Além do risco regulatório, há riscos éticos, como a reprodução de vieses em processos de recursos humanos. Decisões automatizadas podem perpetuar desigualdades históricas, e a delegação para a máquina não transfere a responsabilidade legal da empresa.
O fenômeno do shadow AI refere-se ao uso de ferramentas de IA por equipes sem conhecimento ou controle da organização, comparável ao software pirata. Um relatório da Netskope indicou que violações de políticas de dados envolvendo IA generativa mais que dobraram em 2025. A inteligência artificial bem governada é vantagem competitiva; mal governada, é um passivo que cobra a conta.

