Pesquisadores descobriram que os vastos sistemas de campos em La Mojana, na Colômbia, foram construídos e mantidos por cooperativas familiares locais, e não por autoridades centralizadas. A rede de canais e terraços, visível de aviões, demonstra uma engenharia complexa que pode auxiliar na gestão hídrica atual da região.
Os sistemas de campos de La Mojana, localizados nos pântanos da Colômbia, representam um dos maiores exemplos de engenharia monumental antiga na América do Sul. A rede de canais e terraços agrícolas abrange uma área comparável ao Parque Nacional Grand Canyon. Historicamente, assumiu-se que tais empreendimentos exigiam supervisão de chefias rígidas, mas novos dados sugerem o contrário.
Uma equipe internacional de pesquisa concluiu que o arranjo agrícola hidráulico foi concebido e mantido por cooperativas familiares. O sistema funcionava com terraços elevados que acumulavam água em reservatórios durante a estação chuvosa e a redirecionavam por canais em períodos de seca. A construção teve início nos primeiros séculos a.C. e foi utilizada por comunidades pré-hispânicas até o século XI d.C.
A análise de uma seção de 1.235 acres perto de San Marcos, na Colômbia, avaliou 1.600 terraços e 63 plataformas habitacionais. Com base em uma população estimada de 1.600 pessoas, os pesquisadores calcularam que 800 trabalhadores cooperativos poderiam ter construído a rede em menos de dois meses. Segundo um dos coautores, a construção exigiu um investimento de mão de obra muito menor do que se supunha anteriormente.
Os achados têm relevância para a gestão de recursos hídricos contemporânea. O estudo aponta que a adoção desses métodos antigos pode evitar problemas como o rompimento de diques, como o de Caregato, ocorrido desde 2021. Um dos pesquisadores afirmou que soluções sustentáveis como essas podem ser organizadas localmente e coletivamente, sem necessidade de intervenção estatal direta.


