O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, afirmou nesta segunda-feira que o setor financeiro deve admitir o excesso na oferta de crédito no País. Segundo Sidney, essa prática contribuiu para o superendividamento das famílias e para a alta da inadimplência, corroborando a análise do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Em entrevista durante a Febraban Tech 2026, em São Paulo, Sidney declarou que as instituições financeiras precisam fazer um “mea culpa”. O executivo ponderou, porém, que a manutenção dos juros altos por períodos prolongados e o comprometimento da renda das famílias também pressionam os índices de atraso nos pagamentos.
A inadimplência das famílias atinge 5,6% ao considerar créditos livres e direcionados. Nas operações de recursos livres, a taxa sobe para 7,6%, chegando a 11,2% no segmento de fintechs e instituições de pagamento. Sidney informou que há incerteza se o indicador atingiu o pico ou se ainda pode piorar caso a taxa Selic permaneça elevada.
Uma pesquisa da Febraban com 21 bancos indica que as instituições adotarão postura mais cautelosa na concessão de empréstimos. A expectativa de crescimento da carteira de crédito para 2027 é de 7% a 8%, valor inferior aos 9% a 10% projetados para 2026. O cenário de desaceleração gradual deve começar já no segundo semestre deste ano.
O presidente da federação relacionou a perspectiva econômica à situação fiscal, afirmando que qualquer governo que assuma em 2027 precisará de um ajuste mais forte nas despesas. Para ele, o endividamento público e os juros altos retroalimentam-se e limitam a capacidade de crescimento da economia brasileira.
Dados da Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban de agosto revisaram a inadimplência da carteira de crédito livre para 5,8% em 2026 e 5,6% em 2027. Anteriormente, as projeções eram de 5,4% e 5,3%, respectivamente. Atualmente, 57,1% dos bancos acreditam na estabilização do índice, enquanto 38,1% esperam a continuidade da alta.


