A crescente presença de câmeras com inteligência artificial e a venda de dados pessoais a agências governamentais mudam o cenário da ficção criminal. Autores de suspense precisam incorporar a vigilância moderna em suas histórias para que os leitores aceitem os enredos.
A tecnologia de vigilância, como as câmeras Flock, está se espalhando pelo país, permitindo que intermediários de dados forneçam informações detalhadas a agências governamentais. Essa realidade impõe um desafio aos escritores de ficção criminal, que não podem mais contar histórias onde um criminoso consiga escapar facilmente da justiça.
Samantha Downing, autora de um best-seller, afirmou que os leitores não aceitarão mais impunidade em mistérios com assassinato. Ela utiliza essa tensão em seu romance de 2025, onde a protagonista, uma assassina em série de 75 anos, toma medidas para evitar a tecnologia de monitoramento, como cobrir a placa do veículo.
Mark Coggins, autor de ficção policial, explora como a tecnologia pode ser usada para cometer crimes, citando um exemplo em que a IA foi usada para criar vídeos falsos e incriminar terceiros. Ele também mencionou preocupações sobre o uso da vigilância para atingir manifestantes.
Apesar da resistência de líderes locais em remover a tecnologia, há relatos de abuso. Um levantamento apontou que mais de 50 policiais nos EUA foram acusados de usar câmeras de leitura de placas para perseguir mulheres. Escritores, segundo Tim Maleeny, precisam fazer pesquisa aprofundada para entender o funcionamento desses sistemas.


