Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) registram um crescimento expressivo no mercado brasileiro, impulsionados pela busca por retornos na renda fixa e pela necessidade de fontes de financiamento alternativas. Segundo análise de especialistas, o patrimônio líquido dos FIDCs saltou mais de 1.700% entre 2012 e 2025, consolidando o produto como uma mudança estrutural no crédito privado.
O mercado de crédito estruturado atrai investidores que buscam melhores retornos, enquanto tomadores de recursos utilizam os FIDCs para obter financiamento fora do sistema bancário tradicional. Michel Rubin, sócio-diretor de crédito da M8 Partners, afirma que o crescimento do setor não é especulação, mas sim uma transformação estrutural. Ele aponta três fatores que sustentam essa tendência: a melhoria na governança do mercado, a disrupção bancária, que oferece agilidade e taxas competitivas, e o maior alcance dos fundos em regiões menos atendidas pelos bancos.
Indicadores mostram a solidez do segmento. O índice de problemas na cota sênior dos FIDCs permanece abaixo de 0,5% do patrimônio líquido desde o início da regulamentação. Contudo, Rubin alerta que o rápido crescimento exige maturidade do mercado. Ele adverte que o excesso de liquidez pode mascarar riscos, e que mecanismos de proteção, como a subordinação de cotas, são insuficientes em carteiras concentradas, onde o risco de um único sacado pode comprometer a estrutura.
Para avaliar um FIDC, o especialista sugere olhar além do rating e da estrutura de capital. É fundamental entender os incentivos dos originadores de crédito. Rubin comentou que o alinhamento de interesses é crucial: o comercial deve receber comissão somente após o dinheiro retornar do crédito. Ele também citou o índice de vencidos e a composição da carteira como sinais de alerta para o investidor.


