Fidel Castro chegou ao Rio de Janeiro em maio de 1959, menos de seis meses após a Revolução Cubana. A visita de 25 dias incluiu paradas em vários países das Américas. Aos 32 anos, o líder caribenho elogiou a recepção brasileira e defendeu a reforma agrária.
O líder revolucionário, que havia assumido o cargo de primeiro-ministro em fevereiro daquele ano, afirmou estar feliz por estar no Brasil pela segunda vez. Ele declarou que a comunicação entre brasileiros e povos de origem espanhola prova que a América Latina deve unir-se para buscar paz e prosperidade continental.
Durante sua estadia, Castro concedeu entrevista coletiva na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Ele apresentou um discurso sobre a reforma agrária, alegando que grande parte das terras em Cuba não gerava o potencial produtivo esperado. Segundo ele, o país enfrentava 700 mil desempregados.
Em um encontro com o ministro de Guerra, marechal Teixeira Lott, em São Cristóvão, houve conversa sobre os obstáculos enfrentados pelos rebeldes cubanos. O militar criticou as execuções promovidas pelo novo governo, ao que Castro respondeu que as ações eram necessárias por questões de justiça.
A mudança de cenário ocorreu em 17 de maio de 1959, quando Castro assinou a Primeira Lei da Reforma Agrária, idealizada por Ernesto Che Guevara. Essa medida iniciou a desapropriação de grandes latifúndios, afetando terras de cidadãos e empresas americanas em Cuba.


