A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) classificou, em nota divulgada nesta quinta-feira (27), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 como uma “PEC Boca de Urna”. A entidade afirma que a pauta foi sequestrada pelo calendário eleitoral e que a medida pode elevar em até 20% o custo do trabalho.
O texto, assinado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, critica a velocidade da votação no Congresso. Skaf declarou que a entrega do parecer do relator antes de reuniões agendadas com entidades e especialistas é um desrespeito com quem gera empregos no país.
O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da proposta no Senado, apresentou parecer favorável à PEC nesta quinta-feira (27). O texto prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e a garantia de dois dias de repouso semanal remunerado, sem que haja redução no salário do trabalhador.
A Fiesp solicitou que o Senado atue com responsabilidade e não submeta o tema à urgência das urnas. Segundo a federação, o Brasil necessita de um debate técnico que considere as especificidades de cada setor econômico para modernizar as relações de trabalho.
Skaf afirmou que a votação relâmpago é movida por interesses eleitorais. O presidente da entidade defendeu que a discussão ocorra com tempo hábil, mencionando que o relator convidou empresários e o professor José Pastore, de 91 anos, para um diálogo em Brasília na próxima semana, mas antecipou o parecer.

