O filme espanhol Conspiradores narra a jornada de uma mulher que desconfia de uma conspiração envolvendo um laboratório farmacêutico e o governo. A trama mostra como os delírios de um pai e de sua filha levam a uma tragédia, explorando os efeitos das novas tecnologias de comunicação.
A história acompanha a volta de Ruth à cidade natal após a morte acidental da mãe. O pai dela vive em um estado delirante, convencido de uma grande conspiração. A filha, Martín, começa a suspeitar que o pai matou a esposa. O conflito entre os delírios culmina em uma agressão e, posteriormente, na morte de Martín em um atentado ao laboratório.
O texto aponta que o filme foca mais na mente dos personagens do que na tecnologia que propaga a teoria. Ruth descobre no sótão do pai apenas um computador comum e um caderno de anotações. A narrativa se impulsiona pelo estado mental dos envolvidos, mostrando como a teoria, embora não visível, gera uma tragédia.
O artigo faz um paralelo com o cenário brasileiro, questionando a inércia das autoridades. São citados casos, como o de um político investigado há vinte anos, onde a disseminação de notícias falsas continua, apesar das investigações. O autor compara isso à tolerância mostrada pelas autoridades espanholas na trama.
O texto conclui que o retrato do filme é generoso. O mundo vivenciado pelas vítimas de grandes empresas de tecnologia e da extrema direita é mais severo. No Brasil, notícias falsas geram inquéritos baseados em uma perversão legal, e o lavajatismo ressurgiu com força, segundo o autor.


