O filme “O apego”, vencedor do Prêmio César 2026, a principal honraria do cinema francês, estreia nos cinemas brasileiros. A obra de Carine Tardieu investiga a complexidade de novos arranjos familiares por meio de Sandra, uma livreira de 50 anos que desenvolve vínculos inesperados com o filho de um vizinho.
A trama, adaptada do romance “A intimidade”, de Alice Ferney, começa quando a protagonista aceita cuidar de Elliot, de cinco anos, enquanto a mãe do menino entra em trabalho de parto. A morte da mulher durante o parto deixa o pai, Alexandre, desorientado, fazendo com que a criança busque refúgio na vizinha.
A diretora Carine Tardieu explicou, em entrevista por telefone, que a história foca na diferença entre amor e apego. Segundo a cineasta, o que move o personagem Elliot é um instinto de sobrevivência, e o amor surge de forma gradual, sem seguir modelos tradicionais.
A produção apresenta divergências em relação ao livro original, que focava na relação da sociedade com os corpos femininos. No longa, os adultos experimentam novos papéis e sentimentos, revelando vulnerabilidades enquanto lidam com a ausência de figuras paternas e maternas convencionais.
Tardieu relatou que a temática a interessa por questões pessoais, já que adotou uma filha em um país estrangeiro. A diretora defende que as sociedades já não vivem sob o modelo da família nuclear e que os encontros humanos constroem a história familiar, independentemente de regras ou leis.
A trilha sonora do filme inclui a canção “Você abusou”, interpretada por Maria Creuza. A escolha reflete a intenção da diretora de mostrar a possibilidade de reinventar vínculos e a aceitação do desamor como parte do processo humano.

