A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode elevar em 6,2% os preços ao consumidor no setor de máquinas e equipamentos, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e do Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas (Sindimaq), divulgado nesta sexta-feira (28).
As entidades estimam que a mudança reduziria em 9% o tempo disponível para a produção. Para manter o volume fabricado, as empresas precisariam compensar a perda com ganhos de eficiência, contratação de 7,7% mais funcionários ou aumento de 11% nas horas extras.
O cálculo aponta que a adoção de dois descansos semanais remunerados elevaria os gastos com pessoal em 9%. Esse fator, somado aos custos fixos como aluguel, manutenção e depreciação de máquinas, que permanecem ativos mesmo com menos horas de operação, resultaria na alta média de preços.
A Abimaq e o Sindimaq afirmam que o Custo Brasil já torna a produção nacional cerca de 26% mais cara que a de concorrentes estrangeiros. A redução da jornada sem ganhos de produtividade poderia ampliar essa diferença e prejudicar a competitividade da indústria brasileira.
As entidades ressaltam que o percentual de 6,2% é uma estimativa específica para o setor e não uma projeção oficial para a inflação geral.
Para mitigar os efeitos, as associações defendem investimentos em automação, robótica, inteligência artificial, modernização do parque industrial e qualificação profissional. As entidades apoiam a manutenção do limite de 44 horas semanais e a definição de jornadas via negociação coletiva, conforme a característica de cada setor.


