O fim da cobrança de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 pode eliminar 109 mil empregos e reduzir em R$ 21,8 bilhões a produção doméstica em 2026, segundo nota técnica divulgada nesta quarta-feira (26) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O estudo analisou os impactos da Medida Provisória 1.357/2026, que extingue a chamada “taxa das blusinhas”. Para Marcio Guerra, superintendente de economia da CNI, o imposto reduzia a desigualdade tributária entre os produtos fabricados no Brasil e os similares importados via Programa Remessa Conforme (PRC).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se nesta quarta-feira (26) com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Hugo Motta, presidente da Câmara, para destravar pautas do Legislativo. A votação da MP que trata da isenção fiscal está entre as prioridades do governo.
A CNI projeta que 249,5 milhões de encomendas de pequeno valor entrem no País pelo PRC este ano, alta de 56,3% comparada a 2025. Em valores, a estimativa é de R$ 23,6 bilhões em importações, o que representa um aumento de 65,7% em relação ao ano passado.
A entidade afirma que cada R$ 1 importado pelo programa deixa de gerar R$ 3,11 nas cadeias produtivas nacionais. O impacto recai principalmente sobre a indústria de transformação, responsável por dois terços do efeito total, já que itens de vestuário e eletrônicos concorrem diretamente com a fabricação local.
Guerra declarou que a isenção viola a isonomia e a livre concorrência, além de ferir o preceito constitucional de proteção do mercado interno. Segundo o economista, a retomada da cobrança é fundamental para a recuperação da competitividade da indústria brasileira.

