O endurecimento da fiscalização no Porto de Santos, em São Paulo, empurra o tráfico internacional de drogas para outros terminais marítimos do país. Grupos como o PCC e o CV lideram os esquemas que movimentam bilhões de reais, utilizando cadeias logísticas complexas para burlar a alfândega.
A Receita Federal reconhece a mudança de cenário e afirma acompanhar as alterações nas cadeias logísticas. Segundo o órgão, a estratégia de fiscalização envolve o aprimoramento da análise de risco e a integração de dados com outras administrações aduaneiras. O Porto de Santos conta hoje com dezessete scanners e cobertura de videomonitoramento com quatro mil e quatrocentos câmeras.
Investigações federais mostram o espalhamento das rotas por toda a costa brasileira, abrangendo locais como Santana, no Amapá, e Itajaí, em Santa Catarina. Um auditor fiscal da Alfândega de Santos disse que o envio de entorpecentes pelo porto ficou mais difícil, forçando os traficantes a buscar novas vias.
A operação Conexão Paraíba, por exemplo, foi deflagrada em dois mil e vinte e quatro contra quinze pessoas envolvidas em tráfico por portos do Nordeste. Este caso teve ligação com a máfia italiana ‘Ndrangheta e o PCC, e movimentou quatro bilhões de reais em seis anos. Os envios, antes concentrados no Sudeste, passaram a exigir novas estratégias.
O agente da Polícia Federal e pesquisador da ONU, Christian Vianna, relatou que há coexistência entre facções, como PCC e CV, em alguns portos, pois os grupos atuam em função do negócio. As apreensões em terminais antes mais calmos têm surpreendido autoridades, indicando a adaptação contínua das redes criminosas.


