A diretoria do Flamengo interrompeu investimentos de alto impacto financeiro na segunda janela de transferências para adequar as contas ao orçamento aprovado. A decisão ocorre após a divulgação de um déficit acumulado de R$ 33,8 milhões no primeiro semestre, que gerou pressão política interna e cobranças de conselheiros.
O clube chegou a avançar nas negociações por Luiz Henrique e avaliou a contratação de Thiago Almada, mas desistiu dos movimentos. Para equilibrar as finanças, a gestão avançou na venda de Gonzalo Plata e Wallace Yan, operação que deve render cerca de R$ 109 milhões.
A cautela financeira é imposta pelo Estatuto do Flamengo. O Conselho Diretor perde a autonomia para celebrar contratos, acordos e empréstimos caso os balancetes trimestrais indiquem déficit superior a 3% do faturamento previsto. Um grupo de 12 conselheiros já protocolou documentos no Conselho Deliberativo e no Conselho Fiscal exigindo a aplicação dessa regra.
No primeiro semestre, o clube investiu R$ 495 milhões em atletas, sendo R$ 315,7 milhões apenas na operação de Lucas Paquetá. Com a eliminação da Copa do Brasil e a ausência no Mundial de Clubes deste ano, a capacidade de gerar receitas extraordinárias diminuiu, elevando a dependência financeira dos resultados na Libertadores.
A diretoria informou que a receita total do período foi de R$ 839 milhões, alta de 9,5% comparada ao primeiro semestre de 2025. A receita recorrente subiu 32%, atingindo R$ 732,4 milhões. Segundo o clube, o déficit é explicado principalmente pela amortização contábil de R$ 192,4 milhões dos direitos econômicos de jogadores contratados na primeira janela.
As vendas recentes de atletas não compensaram os investimentos iniciais, com jovens saindo por valores abaixo do potencial. Gonzalo Plata, por exemplo, foi adquirido por R$ 60 milhões e negociado por R$ 72 milhões. Para a partida contra o Independiente del Valle, o clube aumentou o preço dos ingressos.

