A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) planeja lançar, nas próximas duas semanas, uma transmissão de 24 horas via internet. A iniciativa visa recuperar o alcance digital utilizado por Jair Bolsonaro em eleições anteriores e tentar diminuir a diferença de intenções de voto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O projeto, confirmado por quatro integrantes do núcleo de campanha, prevê a contratação de influenciadores de direita para atrair audiência. A grade incluirá entrevistas, videocasts, propaganda eleitoral e conteúdos de candidatos aliados. A equipe estuda hospedar a programação no YouTube, onde o senador possui 994 mil inscritos, ou criar um endereço específico.
A medida ocorre após a divulgação de pesquisa do Datafolha, na semana passada, que indica 47% das intenções de voto para Lula contra 43% de Flávio em eventual segundo turno. No primeiro turno, o petista aparece com 39% e o senador com 33%. A diferença no segundo turno é de quatro pontos percentuais, no limite da margem de erro de dois pontos.
Na televisão, o senador terá 4 minutos e 20 segundos por bloco no horário eleitoral, enquanto o presidente contará com 5 minutos e 31 segundos. O PL pretende usar a rede para manter a exposição do candidato fora das janelas oficiais da propaganda e suprir a dificuldade de mobilização digital identificada pelo próprio QG nas transmissões recentes do senador.
A estratégia divide a comunicação por público. Na TV aberta, Flávio adotará um tom mais leve, focando em segurança pública e custo de vida para atrair eleitores menos politizados. Já no canal digital, a campanha planeja um confronto político mais intenso e ataques diretos ao adversário.
Nomes como Paulo Figueiredo, Alexandre Pittoli e Caio Coppolla foram discutidos internamente para integrar a programação, embora a campanha informe que ainda não houve convites oficiais. Procurados, os comunicadores não comentaram a possível participação.

