A coordenadora de economia da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto, Daniella Marques, afirmou nesta quinta-feira (27) que a prioridade de um eventual governo seria um programa de renegociação de dívidas e recomposição financeira para mais de 100 milhões de brasileiros.
Marques, que é ex-presidente da Caixa, disse que a proposta visa reformular medidas de crédito subsidiado para públicos específicos, como motoristas de aplicativos e microempreendedores individuais (MEIs). A intenção é lançar um programa abrangente utilizando a estrutura da Caixa, do Banco do Nordeste e do Banco da Amazônia para reorganizar a capacidade financeira da população, usando parte do patrimônio dos cidadãos como garantia.
A coordenadora negou que o plano seja uma nova versão do programa Desenrola, do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), classificando a medida atual como ineficaz. Segundo ela, a proposta de Flávio Bolsonaro envolveria a reestruturação de dívidas, formalização e inserção nos mercados em um projeto de longo prazo.
Sobre as contas públicas, Marques declarou que o Brasil vive um colapso absoluto, o que resultou no maior juro real do mundo. Ela criticou o arcabouço fiscal vigente, definindo-o como uma regra inócua, e defendeu a criação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para estabelecer mecanismos de controle de gastos.
O plano de controle fiscal seria dividido em três eixos: a criação de um conselho superior da República com a participação dos três Poderes, um corte de despesas focado em privilégios, supersalários e cargos comissionados, e a reestruturação de ativos da União. Marques não detalhou os itens do corte, afirmando que a definição caberá ao Congresso.
Questionada sobre a PEC do fim da escala 6 x 1, em tramitação no Senado, a coordenadora disse que não é contra a medida, mas considerou a questão inadequada para o período eleitoral. Ela defendeu que o governo não deve interferir na liberdade de escolha dos modelos de jornada de trabalho.

