Em Rondônia, uma cooperativa busca provar que a floresta em pé pode gerar mais valor que a área desmatada. A iniciativa remunera produtores rurais pela conservação ambiental por meio de créditos de carbono, impulsionando a economia local.
A cooperativa Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado (RECA) opera em Porto Velho, no distrito de Nova Califórnia, e utiliza o mercado de carbono para remunerar agricultores. A parceria com a Natura, que dura mais de 25 anos, calcula o valor do carbono que seria liberado caso a área fosse desmatada. Segundo a diretora de Sustentabilidade da empresa, Angela Pinhati, o cálculo visa compensar emissões, remunerando o produtor pelo carbono não emitido.
A iniciativa evitou o desmatamento de cerca de 1,5 mil hectares e a emissão de aproximadamente 392 mil toneladas de CO₂ equivalente. Além do ganho ambiental, o projeto impactou a vida das famílias. Um estudo do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) mostrou que os participantes têm renda média 37% superior aos produtores que não aderiram ao programa.
O produtor e diretor comercial da RECA, Giancarlo Souza de Lima, afirmou que o pagamento trouxe ganhos econômicos e sociais. Ele explicou que a propriedade passa a gerar renda com o carbono e com Sistemas Agroflorestais (SAF), incentivando a permanência no campo. Segundo Giancarlo, manter a floresta em pé gera mais renda do que derrubá-la, além de garantir a conformidade com a legislação ambiental.


