O futebol brasileiro possui grande potencial de formação de talentos, com 470 clubes dedicados à base e mais de mil jogadores exportados em 2025. Contudo, a análise de dados de transferências aponta que o país gera menos valor econômico por atleta negociado em comparação com mercados como a Bélgica.
Os números da janela internacional de janeiro de 2026, segundo a Fifa, mostram que o Brasil realizou 204 saídas, contra 71 da Bélgica. Embora o Brasil tenha recebido US$ 154,7 milhões, a Bélgica arrecadou US$ 89,1 milhões. Ao calcular a receita por atleta, o valor médio brasileiro foi de US$ 758 mil, enquanto na Bélgica atingiu US$ 1,25 milhão, indicando que o país europeu capturou cerca de 65% mais valor por jogador.
A sustentabilidade econômica do futebol nacional depende cada vez mais das transferências, que representaram cerca de 27% das receitas totais da Série A em 2025. No entanto, o Relatório Convocados 2026 revela um desequilíbrio: em 2025, os clubes brasileiros investiram aproximadamente 92% dos recursos no elenco profissional, destinando apenas 3% às categorias de base.
A questão estratégica reside em onde o investimento deve ocorrer. Enquanto o futebol profissional consome recursos, a formação gera ativos. A análise sugere que o desafio brasileiro não é formar mais atletas, mas sim investir na qualidade da formação e nas pessoas responsáveis por ela, transformando o potencial em valor econômico.

