A Petrobras encontrou indícios de óleo no primeiro poço perfurado na Margem Equatorial, no Amapá. Se o potencial da bacia da Foz do Amazonas for confirmado, a empresa projeta que os reservatórios garantirão pelo menos mais 40 anos de produção.
O gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras, Wagner Victer, afirmou que a descoberta sinaliza longevidade para a estatal e a abertura de nova fronteira exploratória. A diretora de Exploração e Produção, Sylvia Anjos, disse que o óleo será analisado pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes) para avaliar sua qualidade e potencial.
A Margem Equatorial é vista como estratégica, pois pode ajudar a repor reservas de petróleo na próxima década, quando a produção do pré-sal deve declinar. O plano de negócios 2026-2030 prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos e 15 novos poços na região. Os próximos passos aguardam análise do Ibama, órgão ambiental, sobre o pedido para perfurar mais três poços.
O professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida, destacou a necessidade de superar o debate sobre viabilidade ambiental. Ele apontou que a escala da atividade exploratória na região é grande, comparável a áreas como a Guiana. O acadêmico disse que a comprovação dos reservatórios levará a declarações de comercialidade.
Analistas de mercado observam que, apesar da notícia ser positiva para a perspectiva exploratória, ainda faltam dados de escala comercial e produtividade para precificar a ação da estatal. Rivaldo Moreira Neto, sócio-diretor da A&M Infra, avaliou que a descoberta pode incentivar o apetite privado por blocos da Margem Equatorial.


