Investidores estrangeiros retiraram quase R$ 11,9 bilhões do Ibovespa nos sete primeiros pregões de agosto. O movimento coloca o mês como o segundo maior em saída de recursos estrangeiros no ano, atrás apenas de maio, aponta um especialista do mercado.
Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, atribui a retirada de recursos a mudanças na alocação global de capital e preocupações com o cenário macroeconômico e fiscal brasileiro. O especialista explica que o movimento ocorre após um período de forte entrada de capital, impulsionada por uma dinâmica global que favoreceu mercados emergentes e empresas ligadas a commodities.
A mudança no cenário internacional também contribui para a saída de recursos. Teles aponta que investidores que haviam reduzido posições nos Estados Unidos passaram a retornar aos ativos americanos, favorecidos pelo desempenho de empresas de inteligência artificial e pela recuperação do S&P 500. O conflito entre Estados Unidos e Irã e o risco de choques no preço do petróleo aumentam a preocupação com a inflação em países emergentes.
No Brasil, a pressão inflacionária contribui para a demora no fechamento da curva de juros, gerando uma retirada de dólar da Bolsa. Além disso, a situação fiscal local é fator de pressão. A falta de propostas econômicas detalhadas entre os candidatos à Presidência gera incerteza sobre as contas públicas, dificulta a avaliação dos ativos locais.


