A Alemanha prepara uma grande mudança em seu sistema previdenciário, que deve direcionar fundos privados para mercados de capitais. A medida visa dobrar o patrimônio destinado à previdência privada, chegando a cerca de € 500 bilhões na próxima década, segundo a BVI.
Gestores de fundos, como DWS Group e JPMorgan Asset Management, trabalham para preparar novos produtos antes de 1º de janeiro de 2027, data de entrada em vigor do novo sistema. O país, que já tem mais de cinco trilhões de dólares em ativos sob gestão no setor de fundos, abandona gradualmente a dependência de títulos conservadores e apólices de seguro.
A mudança reflete a percepção de que o sistema previdenciário tradicional pode não garantir o padrão de vida desejado. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico informou que a taxa líquida de reposição para trabalhadores de renda média, dependentes da previdência obrigatória, deve ser de 53%.
O novo modelo substituirá o sistema Riester, que oferecia garantia de capital, mas com retornos baixos. Ele aproxima a Alemanha de modelos como o dos Estados Unidos, incentivando a aplicação em títulos e fundos. Os fundos negociados em bolsa de baixo custo deverão se beneficiar, com taxas limitadas a 1% na conta padrão.
A S&P Global Ratings estima que a reforma pode gerar entre € 26 bilhões e € 56 bilhões em novos aportes anuais para a previdência privada alemã. Analistas apontam que a fidelidade dos clientes pode ser um fator decisivo para o sucesso da implementação no próximo ano.


