Uma cientista sul-africana descobriu um fungo que pode ajudar a controlar a lagarta-do-cartucho africana, praga que afeta plantações e pastagens em vários países do continente. A descoberta, feita após observar insetos mortos em KwaZulu-Natal, aponta um caminho biológico contra os prejuízos econômicos causados pela infestação.
A pesquisadora Letodi Luki Mathulwe, especialista em entomologia, investigou o fenômeno durante um surto da lagarta-do-cartucho. Em certas áreas de KwaZulu-Natal, enquanto a praga destruía a vegetação, populações encontradas em campos de capim Kikuyu apresentavam mortalidade natural, associada a um fungo presente no solo. Amostras foram coletadas e analisadas em laboratório em Pietermaritzburg.
A ameaça econômica é grande. Estudos indicam que, sem controle eficaz, perdas de produção de milho em doze países africanos podem variar entre 8,3 milhões e 20,6 milhões de toneladas anuais. Em 2017, um surto na Zâmbia comprometeu até 40% da produção de milho, gerando prejuízo estimado em 6,2 bilhões de dólares, segundo o Cabi.
O fungo pode ser desenvolvido como agente de controle biológico, parte do manejo integrado de pragas. No entanto, a proposta ainda não é um produto comercial. Segundo Mathulwe, novos testes são necessários para que o organismo possa ser aplicado diretamente nas propriedades rurais.
Além das plantações, a lagarta atinge pastagens, liberando substâncias que podem prejudicar o gado. O inseto, que se transforma em mariposa, facilita a dispersão para novas regiões. Especialistas defendem que a solução deve combinar o uso biológico com práticas agrícolas adequadas e identificação rápida dos focos.


