A Amazon reportou ganhos expressivos no segundo trimestre de 2026, com lucro líquido de 62,6 bilhões de dólares por ação. Contudo, mais de 85% desse valor provém de ganhos não realizados em ativos, um fenômeno conhecido como ganho em papel.
Os ganhos em papel referem-se a valorizações de ativos, geralmente ações de outras companhias, que ainda não foram vendidas. As normas contábeis, como GAAP e IFRS, exigem que essas valorizações sejam incluídas no resultado líquido da empresa, mesmo sem a concretização da venda.
No caso da Amazon, 53,4 bilhões de dólares do lucro reportado no trimestre vieram de participações em ações da Anthropic, uma empresa privada de modelo de linguagem. Apesar de a Anthropic registrar perdas anuais, sua avaliação subiu no período, gerando a valorização.
A conversão desses ganhos em dinheiro vivo é dificultada por obrigações contratuais e pela falta de liquidez, já que a Anthropic não possui negociação pública. Se a empresa parceira falhasse, a Amazon poderia registrar um prejuízo em papel.
Sem contabilizar esses ganhos não realizados, o lucro da Amazon no segundo trimestre de 2026 seria de 9,2 bilhões de dólares, o que elevaria significativamente seu índice preço-lucro acima da média do S&P 500.

