Os principais gargalos da cadeia de transportes global deixam de focar na disponibilidade de navios e se concentram em portos, rodovias e ferrovias, avalia Vincent Clerc, presidente-executivo da Maersk. Segundo o executivo, a demanda permanece forte apesar das turbulências geopolíticas, elevando os custos de frete.
Clerc informou que o último trimestre registrou choques, como a guerra no Oriente Médio e novas tarifas dos Estados Unidos, sem causar retração nos volumes transportados. A resiliência econômica, segundo ele, desloca o problema para o transporte terrestre, seja na África, Europa ou América Latina, gerando congestionamentos e aumento de taxas.
A lógica do comércio marítimo, que antes analisava a relação entre navios e contêineres, está mudando. Clerc atribui isso ao subinvestimento em infraestrutura terrestre nos últimos quinze anos, somado ao crescimento do volume comercializado. Na Europa, por exemplo, o baixo nível do Rio Reno transfere cargas para rodovias, sobrecarregando o sistema.
A análise do executivo indica que, enquanto a demanda se mantiver forte, os gargalos aparecerão em diferentes pontos da cadeia, sendo resolvidos e reaparecendo em outras áreas. Ele também apontou que o conteúdo dos contêineres muda, migrando de bens de consumo para itens de infraestrutura e transição energética, o que é mais resistente ao ciclo econômico.


