O governo registrou um avanço de seis por cento na receita líquida entre janeiro e julho deste ano. No entanto, as despesas aumentaram 6,3% acima da inflação, resultando em um déficit primário de R$ 81,2 bilhões no acumulado dos sete meses, conforme a Instituição Fiscal Independente (IFI) divulgou nesta quinta-feira (20).
Diretores da IFI afirmaram que o crescimento contínuo e rápido das despesas, tanto obrigatórias quanto discricionárias, limita a margem de liberdade do governo para financiar projetos. Esse desequilíbrio ocorre apesar de fatores pontuais, como a queda nos custos do Bolsa Família e a aceleração de pagamentos de emendas parlamentares no primeiro semestre.
O relatório aponta que o cumprimento formal da meta de superávit primário, estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias, depende de deduções de despesas. Descontadas essas exclusões legais, o resultado primário efetivo deve fechar 2026 com um déficit de 0,4% do PIB.
A piora é vista no déficit estrutural, que avançou para 1,4% do PIB até o segundo trimestre de 2026, dobrando o índice registrado no mesmo período de 2025. A IFI alerta que, para estabilizar a dívida bruta, seria necessário um ajuste de 2,1% do PIB.
Adicionalmente, o estoque de restos a pagar soma R$ 105,5 bilhões, pressionando o orçamento. Ao somar as autorizações do ano aos restos a pagar inscritos, o total de obrigações atinge R$ 330,9 bilhões, superando o limite discricionário de R$ 225,4 bilhões.

