A Polícia Federal solicitou à Justiça Federal da Bahia a indisponibilidade de bens da Gerdau como medida cautelar para garantir indenizações à população afetada em Salvador. No entanto, seis meses após os primeiros relatos de contaminação na areia de São Tomé de Paripe, diversos órgãos públicos e entidades apresentam números distintos sobre o número de pessoas atingidas.
Os dados divulgados variam significativamente. Em abril, a Prefeitura de Salvador registrou 626 famílias atendidas com cestas básicas pela Defesa Civil Municipal. Em contraste, em maio, a promotora Hortênsia Gomes Pinho, do Ministério Público da Bahia, declarou que 10,7 mil pessoas foram diretamente afetadas, cálculo baseado em extrapolação demográfica da área contaminada.
Outros levantamentos apontam para estimativas diferentes. Lideranças comunitárias mapearam cerca de 600 famílias residentes na orla. A Associação de Pescadores e Marisqueiras do Subúrbio contabilizou 1.200 profissionais filiados à entidade. Mais recentemente, organizações da sociedade civil atualizaram a estimativa para mais de 800 famílias atingidas, somando pescadores, marisqueiras, barraqueiros e ambulantes com renda paralisada.
A ausência de um cadastro único gera consequências jurídicas, segundo o advogado Yuri Fernandes Lima. Ele afirmou que a lacuna pode dificultar a individualização dos danos e atrasar o pagamento de indenizações em ações civis públicas. A Sala de Situação interinstitucional, que reúne diversos órgãos, não possui poder para consolidar um banco de dados único com validade jurídica para fins de reparação.


