Gestores de fundos internacionais estão reduzindo a exposição ao real brasileiro em função das preocupações com as eleições presidenciais de outubro. A cautela visa antecipar uma possível volatilidade no mercado, embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidere as pesquisas.
A retração de posições na moeda local vem de gestores como David Austerweil e Eric Fine, da VanEck, que evitaram apostas em renda fixa brasileira. Thierry Larose, da Vontobel, também diminuiu a posição no real, alegando que a moeda não oferece proteção contra um cenário político desfavorável. Kieran Curtis, da Aberdeen, afirmou que é prudente reduzir o risco no período eleitoral.
As dúvidas sobre a capacidade do governo de promover o ajuste fiscal voltaram a surgir, ecoando preocupações de dezembro de dois mil e vinte e quatro. Nessa época, a perda de confiança fiscal levou o real a uma mínima histórica, gerando fuga de investidores em busca de proteções contra risco soberano.
Dados recentes mostram que o ETF iShares MSCI Brazil registrou sua maior saída diária desde dois mil treze. O JPMorgan Chase & Co. cortou sua recomendação para ações brasileiras, preferindo “ficar de fora a pagar pela incerteza”. Estrategistas apontam que as proteções cambiais sobre o real ainda estão baixas, o que abre espaço para um enfraquecimento da moeda.
Gestoras locais também alertam para os riscos. A Adam Capital apontou que os juros reais dos títulos públicos atrelados à inflação ultrapassaram oito por cento, um nível considerado insustentável. Enquanto o real acumulou alta de cerca de 6% frente ao dólar neste ano, a perspectiva de um resultado primário positivo é vista como crucial para o bom desempenho dos ativos brasileiros.

