Grandes empresas de tecnologia, como Alphabet, Meta, Microsoft e outras, acumulam cerca de 3 trilhões de dólares em obrigações que não aparecem nos balanços financeiros. Os valores incluem contratos de compra de chips e servidores, além de arrendamentos futuros ligados ao crescimento da inteligência artificial.
Relatórios indicaram que, em julho, cinco companhias — Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta Platforms e Oracle — possuíam aproximadamente 1,65 trilhão de dólares em obrigações fora dos balanços. Uma análise mais ampla, publicada este mês, elevou esse número para cerca de 3 trilhões de dólares, considerando nove empresas, incluindo Nvidia, Broadcom, Advanced Micro Devices e SpaceX.
O montante se divide em cerca de 1,9 trilhão de dólares em compromissos de compra de hardware e 1,2 trilhão de dólares em arrendamentos ainda não iniciados. A Alphabet, por exemplo, revelou 811 bilhões de dólares em compromissos de compra até 30 de junho, um aumento de 152% em três meses. Esse valor é aproximadamente o triplo do que essas mesmas empresas declaram em empréstimos e arrendamentos de longo prazo.
Os especialistas explicam que essa situação não configura fraude contábil. Trata-se do tratamento padrão para compromissos de compra e arrendamentos não iniciados, que as regras contábeis não obrigam a registrar como passivo antes da utilização do ativo. O risco reside no tempo e na visibilidade desses gastos.
O impacto futuro pode ser significativo. A depreciação desse investimento diferido, quando efetivamente contabilizada, pode elevar a depreciação como percentual da receita de empresas como Oracle e Meta em anos próximos, exigindo que o crescimento da receita acompanhe esse aumento de custos.

