O setor pecuário de Goiás ajusta a produção devido a restrições impostas pela China à carne bovina brasileira. Com a cota de exportação próxima ao limite, produtores e frigoríficos acompanham os impactos no mercado interno, enquanto os Estados Unidos ganham espaço como destino principal.
A China estabeleceu cota de 1,106 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira em 2026. O Ministério do Comércio chinês informou no início de agosto que 90% desse limite já havia sido atingido, o que gerou redução preventiva nos embarques. Em julho, as vendas para o país asiático caíram 47% em comparação anual.
Segundo Luiz Carlos Ongaratto, economista do setor, a cota chinesa de 2026 é cerca de 30% menor que a de 2025. Apesar da redução nas vendas para o principal parceiro comercial, o mercado goiano não registrou queda acentuada nos preços pagos ao produtor. Marcelo Penha, analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), explica que a arroba se mantém sustentada pela oferta reduzida de animais terminados.
Consultores sugerem que parte do volume não exportado poderia ir para o mercado interno, mas a avaliação é de que a demanda doméstica dificilmente absorveria todo o excedente. A diversificação de destinos é vista como estratégia, apontando países como Chile, México, Rússia e Egito, além de mercados de valor como Coreia do Sul e Japão.
Os Estados Unidos assumiram a posição de principal destino da carne bovina goiana. A mudança ocorre em um contexto de redução do rebanho norte-americano, que atingiu 86,2 milhões de cabeças, o menor nível desde 1951. O mercado consumidor dos EUA exige cortes de alta qualidade, o que abriu espaço para a carne brasileira em outras linhas de demanda.


