O Governo Central registrou superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Tesouro Nacional. O valor supera a expectativa do mercado, que previa um déficit de R$ 5,5 bilhões, e representa o melhor desempenho para este mês desde 2022.
A receita líquida somou R$ 226,3 bilhões no período, o que representa uma alta real de 7,7% em comparação a julho de 2025. No mesmo mês do ano anterior, as contas do Governo Central — grupo que reúne o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central — haviam fechado com déficit primário de R$ 59,1 bilhões.
As despesas totais ficaram em R$ 215,5 bilhões, queda real de 20,7% na mesma base comparativa. O Tesouro Nacional informou que a redução foi influenciada principalmente pelo menor pagamento de precatórios, visto que parte desses valores foi antecipada no primeiro semestre.
Julho é tradicionalmente um mês favorável para as finanças públicas devido ao pagamento trimestral do Imposto de Renda por instituições financeiras. Apesar do resultado mensal, os investimentos acumulam crescimento no ano.
O cenário acumulado de 2026 apresenta déficit primário de R$ 81,3 bilhões, alta de 15,6% em valores nominais e de 12,4% descontada a inflação. No período de 12 meses, o rombo soma R$ 71,6 bilhões, o equivalente a 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB).
No ano, o Tesouro registra superávit de R$ 177,7 bilhões, enquanto a Previdência acumula déficit de R$ 258,4 bilhões e o Banco Central, déficit de R$ 627 milhões. A receita líquida acumulada atingiu R$ 1,499 trilhão contra despesas de R$ 1,580 trilhão.
A meta fiscal para 2026 prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões, ou 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. Contudo, ao considerar gastos com precatórios e investimentos em saúde, educação e defesa que não entram no cálculo oficial, a previsão de resultado primário para o ano está em déficit de R$ 52 bilhões.

