O governo colombiano, liderado pelo presidente Abelardo de la Espriella, encerrou o jornalismo das 20 Emissoras da Paz. Os veículos, previstos no Acordo de Paz de 2016 com as Forças Armadas Revolucionária da Colômbia, passaram a exibir programação exclusivamente musical a partir de Bogotá.
Organizações de defesa da imprensa rejeitaram a decisão. Elas alegam que a medida limita o acesso à informação local em diversas comunidades. O Ponto 6.5 do Acordo de Paz previa que essas emissoras informassem sobre o progresso do acordo e promovessem a educação em áreas afetadas por conflitos armados.
O Ministério da Tecnologia, Inovação e Comunicações da Colômbia afirmou que a ação visa a “transformação integral do Sistema de Mídias Públicas”. O governo Espriella, crítico ao Acordo de Paz, declarou que o noticiário das emissoras servia como “aparato de propaganda” para interesses particulares ou políticos.
Entidades como a Fundação para a Liberdade de Imprensa e a Associação Mundial de Rádios Comunitárias disseram que a decisão desconsidera a função das rádios da paz. Essas emissoras atendem mais de 463 mil pessoas em regiões rurais e comunidades indígenas e afrodescendentes.
A mudança, embora anunciada como transitória, reflete uma política vista em outros países. Segundo a organização Repórteres Sem Fronteira, o ecossistema midiático colombiano já deixa 60% do país sem cobertura local.


