O governo federal incluirá um aporte de R$ 6 bilhões para os Correios no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. A medida, confirmada pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, visa cumprir contrato de empréstimo firmado entre a estatal e um consórcio bancário sob garantia do Tesouro Nacional.
O projeto deve ser encaminhado ao Congresso Nacional até segunda-feira (31). O montante foi solicitado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander durante a negociação de um empréstimo de R$ 12 bilhões para a empresa, concretizado em dezembro de 2025. A estatal passa por reestruturação após sucessivos prejuízos bilionários.
Até o momento, a participação da União limitou-se a garantir a operação via Tesouro, assumindo a responsabilidade de pagar a dívida caso a estatal não o faça. O contrato estabelece que o aporte de R$ 6 bilhões ocorra até o fim de 2027, deixando a distribuição dos valores a critério do governo.
Em maio, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que a gestão federal criasse regras para viabilizar esses recursos no prazo estipulado. Moretti informou que a probabilidade de liberação de verbas ainda em 2026 é baixa, pois o Palácio do Planalto trabalha com quase R$ 18 bilhões bloqueados para compensar o aumento de gastos obrigatórios.
O acordo com as instituições financeiras prevê que, na ausência do aporte necessário para o plano de reequilíbrio, os bancos poderão exigir o vencimento antecipado da dívida. Nesse cenário, a União precisaria quitar a totalidade dos R$ 12 bilhões, acrescidos de encargos, de forma imediata.
Houve discussão interna no governo para incluir um valor menor no PLOA e ampliar a quantia ao longo de 2027 via créditos orçamentários, mas a proposta foi descartada.

