O governo de Luiz Inácio Lula da Silva prevê que os gastos com benefícios previdenciários cheguem a R$ 1,169 trilhão em 2027. A estimativa consta no projeto de lei orçamentária anual (PLOA), divulgado pelo Ministério do Planejamento nesta segunda-feira (31), indicando um aumento de R$ 87,5 bilhões em relação ao ano atual.
As despesas com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) representam o principal gasto primário do orçamento. O volume tende a crescer devido ao envelhecimento da população e à indexação ao salário mínimo, que mantém a regra de ganho real.
O governo confirmou que a previsão para o salário mínimo em 2027 é de R$ 1.741. O valor significa uma alta nominal de 7,4%, ou R$ 120, comparado ao piso atual de R$ 1.621. O cálculo considera a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro de 2026 e a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, com limite de ganho real de 2,5%.
O montante final do piso será definido em dezembro, após a divulgação do resultado efetivo do INPC. Além dos trabalhadores, o valor serve de referência para aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de influenciar o seguro-desemprego e a contribuição de microempreendedores individuais (MEIs).
Cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) são vinculados ao salário mínimo. O reajuste impacta diretamente as contas públicas, que registram projeção de superávit efetivo de R$ 83,4 bilhões, considerando deduções de R$ 64,7 bilhões.
O resultado esperado ainda permanece fora do intervalo da meta de 0,50% do PIB, que equivale a R$ 73,2 bilhões, com margem de tolerância entre 0,25% e 0,75% do PIB. A apuração indica que o cálculo do superávit inclui todas as despesas, inclusive parcelas de precatórios.


