O governo federal prevê despesa financeira de R$ 97,9 bilhões para bancar programas de crédito com juros subsidiados em 2027. O valor, detalhado no projeto de lei orçamentária anual (PLOA), supera o desembolso de R$ 36,7 bilhões registrado em 2025 e os R$ 45,5 bilhões gastos até julho deste ano.
Os custos diretos aos cofres públicos ao longo dos contratos de empréstimo devem somar R$ 20,5 bilhões, com estimativa de R$ 3,4 bilhões apenas no ano que vem. O montante total considera a dotação orçamentária e o subsídio implícito de seis programas de crédito com juros reduzidos.
Os recursos são aportados em fundos e operados por instituições financeiras. O programa Minha Casa Minha Vida, via Fundo Social, possui valor autorizado de R$ 40,3 bilhões para 2027. Outras dotações incluem R$ 29,7 bilhões para o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, R$ 10 bilhões para infraestrutura social e R$ 9,9 bilhões para projetos de desenvolvimento tecnológico via FNDCT.
A despesa também abrange R$ 6,5 bilhões para garantia à exportação no Plano do Brasil Soberano e R$ 1,5 bilhão do FNAC para serviços aéreos regulares. Embora os valores retornem ao governo conforme os empréstimos são quitados, a diferença entre os juros cobrados e o custo de captação do Tesouro gera perdas ao caixa da União, elevando o endividamento federal.
O detalhamento dos custos ocorreu após determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) por maior transparência na execução de fundos públicos. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que não é realista esperar que todo o valor orçado seja desembolsado no mesmo ano, citando que a execução de fundos como o clima leva tempo.
Moretti declarou que o debate sobre as políticas deve considerar o retorno econômico e social, como a redução do déficit habitacional e a taxa de investimento. Segundo o ministro, a validade da política ocorre quando o retorno compensa o custo do subsídio implícito.


