O governo federal estima gastar R$ 826,2 bilhões com juros e encargos da dívida pública em 2027, conforme o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) apresentado nesta segunda-feira (31). A projeção baseia-se em uma taxa Selic média de 12,53% para o período.
O Orçamento de 2027 prevê despesas totais de R$ 7,45 trilhões. Desse montante, R$ 3,82 trilhões são classificados como despesas financeiras, enquanto R$ 3,42 trilhões referem-se a despesas primárias, que abrangem saúde, educação, Previdência, benefícios sociais, funcionalismo e investimentos.
A diferença entre as categorias indica que as despesas financeiras superam as primárias em R$ 402,5 bilhões. Os custos financeiros estão concentrados principalmente na dívida pública e em outras obrigações da União.
Do total de gastos financeiros, R$ 3,49 trilhões estão reservados para o serviço da dívida pública federal. Além dos R$ 826,2 bilhões para juros, o governo destinou R$ 2,66 trilhões para a amortização do principal.
A maior parte da amortização, totalizando R$ 2,19 trilhões, será utilizada no refinanciamento, ou rolagem, da dívida. Nesse processo, o Tesouro Nacional emite novos títulos públicos para quitar papéis vencidos, preservando o estoque da dívida.
Os R$ 473,1 bilhões restantes da dotação de amortização serão aplicados no pagamento efetivo do principal da dívida federal, sem a emissão de novos títulos mobiliários para substituição.
A Selic média projetada de 12,53% é inferior aos 14,16% previstos para 2026 no terceiro bimestre, mas supera os 10,55% estimados anteriormente no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).


