O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, relatou nesta quarta-feira (12) uma abordagem policial que classificou como ostensiva e intimidatória. O fato ocorreu na noite anterior, por volta das 22h30, após o motorista que o transportava deixá-lo na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
Haddad afirmou ter pedido uma apuração à Secretaria de Segurança Pública do estado, comandada pelo governo Tarcísio de Freitas. Segundo o petista, após a viatura abordar o carro, ela continuou acompanhando o veículo após o motorista deixá-lo em casa. Os agentes teriam se aproximado diversas vezes, chegando perto da parte traseira do automóvel.
O motorista seguiu até um hotel para se proteger. De acordo com o advogado de Haddad, Hélio Silveira, ele ouviu uma ordem ríspida de um policial, enquanto os agentes estavam armados com três fuzis. O candidato considerou necessário tornar o ocorrido público para que houvesse investigação.
A Secretaria de Segurança Pública apresentou versão distinta para o acompanhamento. O secretário Osvaldo Nico Gonçalves informou que uma investigação concluiu que não houve intimidação. Os policiais buscavam membros de uma quadrilha conhecida como “gangue do quebra-vidro”, suspeita de furtos de celulares na região da Avenida Nove de Julho.
O boletim de ocorrência do 27º Distrito Policial, em Campo Belo, confirma o acionamento policial após testemunhas reportarem um roubo e buscas por um Nissan Kicks preto. O documento registra prisões e apreensões, mas não menciona a abordagem do motorista de Haddad. Os agentes envolvidos não utilizavam câmeras corporais durante o patrulhamento, o que pode dificultar a reconstrução dos fatos.


