Quase 200 mil pessoas foram deportadas à força para o Haiti nos primeiros oito meses de 2026, segundo dados apresentados em reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta sexta-feira (29). O volume de repatriados é 10% maior do que no mesmo período do ano anterior.
A divulgação dos números ocorreu dias após um ataque de gangues no subúrbio de Kenscoff, nos arredores de Porto Príncipe, que matou 47 pessoas no último domingo. A violência acontece após o primeiro voo de deportados dos Estados Unidos pousar no país, resultado da revogação do Status de Proteção Temporária (TPS) de milhares de haitianos pelo governo de Donald Trump.
Indrika Ratwatte, subsecretária-geral interina da ONU para Assuntos Humanitários, afirmou ao Conselho de Segurança que o país não possui recursos para amparar os deportados diante do nível de insegurança. Ratwatte informou que os deslocamentos forçados internos dobraram em dois anos, atingindo quase 1,5 milhão de pessoas, sendo metade delas crianças.
Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que 98% dos deportados vieram da República Dominicana. O restante foi enviado pelas Bahamas, Ilhas Turcas e Caicos e Estados Unidos. O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) relatou que o contrabando de munições e armas continua a fortalecer gangues armadas, apesar do embargo em vigor desde 2022.
O representante do Haiti, Pierre Ericq Pierre, solicitou à comunidade internacional a aceleração do destacamento da Força Multinacional de Repressão às Gangues (GSF), que pretende atingir 5,5 mil agentes até o fim do ano. Pierre pediu apoio para o treinamento de militares e a aplicação mais rigorosa do embargo de armas.
A representante dos Estados Unidos, Jennifer Locetta, instou o Conselho de Segurança a renovar o mandato da GSF no final do próximo mês. Locetta afirmou que a missão é importante para que a polícia local consiga combater as gangues com maior eficiência, caso mais nações forneçam apoio material.

