O cantor Harry Styles iniciou nesta quarta-feira (26) uma sequência de 30 apresentações no Madison Square Garden, em Nova York. A estratégia faz parte de uma tendência da indústria musical de realizar mais shows em menos cidades para reduzir custos logísticos e permitir produções cênicas mais complexas.
A nova turnê do artista britânico de 32 anos prevê 67 shows distribuídos por sete cidades. Apesar de reclamações sobre preços de ingressos que ultrapassaram US$ 1.000 na pré-venda em janeiro, as entradas se esgotaram rapidamente, com alta demanda no mercado de revenda para as datas em Nova York.
Para executivos do setor, a concentração de datas evita gastos com transporte e combustível. Omar Al-joulani, presidente da divisão de turnês da Live Nation, afirmou que temporadas longas permitem experiências impraticáveis em produções itinerantes. A empresa promoverá mais de 470 apresentações nesse formato este ano, concentradas principalmente em Las Vegas.
O modelo evoluiu com a busca por diferenciação em um mercado concorrido. Mitch Rose, chefe de turnês da Creative Artists Agency (CAA), comparou as residências ao fenômeno do festival Coachella, onde o público viaja motivado pela experiência e pelo receio de ficar de fora do evento.
A infraestrutura tecnológica também impulsiona a tendência. A arena Sphere, em Las Vegas, custou US$ 2,3 bilhões e redefiniu os padrões visuais da indústria desde a estreia do U2, em 2023. Anteriormente, Celine Dion arrecadou cerca de US$ 660 milhões com duas residências iniciadas em 2003, abrindo caminho para Elton John, Britney Spears e Adele.
A mudança impacta o comportamento do consumidor, fenômeno chamado de turismo de fãs. Dados da Live Nation indicam que quase seis em cada dez fãs viajam para ao menos um show por ano, e 91% dos entrevistados afirmaram que eventos ao vivo influenciaram a decisão de visitar um destino pela primeira vez.
Jonathan Daniel, da Crush Music, afirmou que o formato é pior para os fãs, que precisam percorrer longas distâncias. No entanto, promotores observam que o público continua disposto a gastar quando acredita que o espetáculo justifica a viagem.

